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sábado, 8 de setembro de 2018

O artista do corpo Lucas Koester, retorna à Cuiabá para reapresentação de seu solo #nudes nos dias 10 e 11/09 no Cine Teatro Cuiabá


#nudes

O artista do corpo Lucas Koester, retorna à Cuiabá para reapresentação de seu solo #nudes de 2017 e início de construção de uma nova peça.
#nudes já foi apresentado em Teresina, Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro e Rondonópolis, e retorna agora para Cuiabá, onde até então só havia se apresentado em mostras de processo. Considera essa apresentação, finalmente uma estréia do trabalho em sua terra natal.
Lucas Koester é graduado em design de moda e compreende figurino como texto, camada dramatúrgica potente para experimentações e para este trabalho elaborou o desenho inicial do figurino em parceria com o estúdio SUPERNOVA de Luiz Pita e Joana de Resende, logo no início do processo e foi com ele para a sala experimentar para saber que imagens poderiam surgir.
Foi então nas dobras que um diálogo com o que era proposto ao corpo começou a se permear; pele figurino, figurino pele//
Pensar uma coreografia em que o movimento é construtor de imagens, pequenos stills, posturas-menções a outros nus clássicos, um exercício semi-voyeur caracterizado pela pouca luz, revela parte em vez do todo; como uma troca ao vivo de nudes em tempos de aplicativos.
#NUDES é um desejo de dança pelada, uma dança ‘pelando’ uma dança de pele, de dentro pra fora, desvestida, descolando a pele. Seria uma selfie do self?
Em cena o performer, e o aparelho celular desenham um movimento estacado, um movimento que quase não vai, enrijece registra tônus e contrações. É possível uma dança nua sem tirar a roupa? Quando a roupa se torna extensão da pele que texto se tece?
O artista assina seus trabalhos sempre como Lucas Koester & BRECHOCollectives  a entender que mesmo quando dança só é atravessado de vários outros colaboradores que o auxiliam na construção de suas peças e com quem já trabalhou em outros processos, como BRECHÓ de 2011, Sobre Cenouras e Horizontes de 2012; F.O.M.O. de 2015 e também em trabalhos assinados por Luiz Marchetti como o os vídeo-performances – Para Dançar de Olhos abertos e para Dançar de Olhos Fechados no PAM (Panorama de Artes Mato-grossenses) e O Silêncio Orgânico das Flores, para o Setembro Freire de 2015.


Nessa edição com apoio do Cineteatro e o Governo do Estado de Mato Grosso #nudes acontece numa micro temporada em momento deslocado da semana, Dias 10 e 11 de setembro, segunda e terça feira respectivamente, com duas sessões por dia uma às 19:00 e a segunda às 20:30, na Sala Anderson Flores do Cineteatro Cuiabá.   

A temporada trabalha com a ideia de ingresso consciente, havendo um valor sugerido de 10,00 reais dos quais, parte do valor vai para a manutenção do espaço, e parte vai para o artista. Num momento em que há cada vez menos editais de criação e circulação nacional, é importante que se descubram também outras maneiras de continuar criando, e dividindo a responsabilidade com o público de consumir conscientemente produtos de arte e cultura.

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“vivemos tempos urgentes de desnudamentos. não o de expor o fora, a casaca, a pele, de limitar às formas, de ser a representação de um desejo ao outro. tempos fundamental para encontrarmos o que permanece escondido às diversas vestes que nos vela. sejam tecidos, identidades, culturas, comportamentos, certezas... Lucas Koester minimiza os gestos e movimentos como que reencontrando-os a partir de sua interioridade. observa-os e deixa que surjam. o homem que dança solitariamente, portanto, é mais do que isso, expõe a si próprio frente a todos, faz surgir sem pressa a intimidade de seu corpo em transformações reais e sua potência de realidade ao contexto qual oferece identidade. E é pela luz que a traduz cênica desse gesto particular se valida plural. de forma gentil, apresenta o percurso com inteligência e eficiência simbólica. do pequeno celular ao teatro em si, em uma narrativa expansiva até ser a totalidade, ser ambiência mais do que ambiente. ao final, a sensação é caber a nós, espectadores, o próximo movimento. Lucas nos convida a seguir com o desnudamento, agora com a nossa nudez, como o nosso íntimo ao mundo. deixei o teatro com a sensação de haver sim um mundo que precisava ser urgentemente tomado, invadido.  #nudes , em tempos como os atuais, desnuda, por fim, a urgência por nos percebermos sobretudo vivos, ainda que escondidos em nós mesmos”
Por Ruy Filho curador responsável pelas ocupações do Centro da Terra (SP)



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